2.9.10 Bases de duche acessíveis que permitem a entrada de uma pessoa em cadeira de rodas

2.9.10 Se as bases de duche acessíveis permitirem a entrada de uma pessoa em cadeira de rodas ao seu interior, devem ser satisfeitas as seguintes condições:

 

  • Neste caso o utilizador terá condições para entrar na base de duche numa cadeira de rodas própria para tomar banho, ou, em alternativa, entrar numa cadeira de rodas de uso corrente e efectuar a transferência para um assento dentro da base de duche.

 

  • É recomendável instalar um assento no interior da base de duche, mesmo que seja possível a entrada em cadeira de rodas. Por três razões: 1) as pessoas não devem ser obrigadas a tomar duche sentadas na sua cadeira de rodas de uso corrente (seria o mesmo que forçá-las a tomar duche… com os sapatos calçados); 2) há cadeiras que não se podem molhar (por ex., as que têm componentes eléctricos ou peças que podem enferrujar); 3) há pessoas que, conseguindo andar a pé, precisam ainda assim de se sentar durante o duche.

 

  • A cadeira de rodas de banho é útil para os utilizadores com maiores limitações de mobilidade e menores condições de autonomia. É importante notar, todavia, que o recurso exclusivo à cadeira de rodas de banho levanta dois tipos de risco: 1) quando a cadeira não estiver disponível, a base de duche fica inutilizável; 2) os modelos correntes de cadeira de rodas de banho não são utilizáveis de forma autónoma, i.e., obrigam necessariamente a depender do apoio de terceiros, o que pode não ser viável, e retira em todo o caso autonomia a muitas pessoas com mobilidade condicionada, por ex., utilizadores de cadeira de rodas que conseguem transferir-se para um assento fixo, ou utilizadores de outros tipos de ajuda técnica (bengala, andarilho, etc.).

 

 

1. O ressalto entre a base de duche e o piso adjacente não deve ser superior a 0,02 m;

 

  • A altura máxima do ressalto (0,02m) deve ser medida na vertical, por referência à parte mais elevada do rebordo superior da base de duche.

 

  • Este ressalto não pode integrar nenhuma calha (cf. ponto 9.18.2).

 

  • Neste ponto, o “ressalto” em causa pode ser entendido de duas formas. Por um lado, como o desnível entre pisos (i.e., entre o interior da base de duche e o exterior adjacente). Por outro lado, como a altura de um rebordo saliente no limite da base de duche. Uma vez que o essencial é garantir que não existe nenhum tipo de ressalto com mais de 0,02m na entrada da base de duche, estas duas formas de entender ressalto são ambas válidas, e devem ser cumpridas em simultâneo.

 

  • Este ressalto máximo deve ser assegurado em todo o perímetro aberto da base de duche, e não apenas na largura do acesso ao seu interior, referida no ponto 9.10.4), porque numa base duche de dimensões mínimas a manobra da cadeira de rodas é mais difícil.

 

  • O facto de não existir rebordo elevado entre o interior e o exterior da base de duche não levará necessariamente à escorrência de águas para o exterior – existem soluções construtivas e equipamentos no mercado que permitem evitá-lo. Em rigor, o rebordo só resolve um requisito, a acumulação de água na base (e mesmo assim, só até certo nível, muito limitado), e não resolve dois outros requisitos, a drenagem na base, e a queda de água do chuveiro. Quanto à acumulação de água, deve notar-se que, ao contrário da banheira, ela nunca é desejável numa base de duche (constitui, aliás, um sintoma de drenagem pouco eficiente).

 

  • Na definição e cálculo do sistema de drenagem da base de duche devem ficar asseguradas três condições: 1) a capacidade de escoamento está dimensionada para saída sem acumulação nos fluxos mais elevados (considerando os débitos possíveis); 2) a grelha de proteção do ponto de escoamento tem uma área ampla, de forma a evitar que a acumulação de detritos cause facilmente obstrução ou redução da capacidade de escoamento (uma grelha sobre uma caleira resulta bastante bem); 3) o sistema de proteção do ponto de escoamento é facilmente limpável (por exemplo, possibilitando o desmonte manual sem recurso a chave de fendas).

 

  • Neste como em qualquer outro tipo de base de duche, é indispensável a colocação de cortina (ou divisória rígida) para prevenir a queda de água do chuveiro fora da base de duche.

 

  • A redundância é uma forma indispensável de prevenir a ocorrência de infiltrações. Para além do sistema de drenagem da base de duche, importa impermeabilizar todo o piso da IS (e um pouco além da porta de entrada, num raio de 1,00m), bem como parte da parede (a uma altura de 1,00m, em todo o perímetro interior da IS).

 

 

2. O piso da base de duche deve ser inclinado na direcção do ponto de escoamento, de modo a evitar que a água escorra para o exterior;

 

  • Esta especificação apenas reforça uma regra básica da drenagem: o pio deve ser inclinado na direção do ponto de escoamento.

 

  • Esta especificação não impede o recurso a duplo piso, i.e., à sobreposição de um piso de nível, 100% permeável (por ex., grelha) sobre uma base impermeável e inclinada.

 

  • Estra especificação não obriga a colocar o ponto de escoamento na parte mais interior da base de duche, e não impede a sua colocação a toda a largura do vão de passagem, na transição da base de duche para o exterior. Essa solução requer especial cuidado no detalhe construtivo e no cálculo da capacidade de escoamento, mas pode ser, inclusive, a que melhor previne a escorrência de águas para o exterior, ao captar não apenas a água acumulada como também as “ondas” que sempre se geram no sentido inverso ao do escoamento.

 

 

3. A inclinação do piso da base de duche não deve ser superior a 2%;

 

  • Este máximo aplica-se a todo o piso da base de duche que pode ser pisado pelo utilizador, e deve ser verificado em todas as direções da base, e não apenas na direção da profundidade ou da largura.

 

 

4. O acesso ao interior da base de duche não deve ter uma largura inferior a 0,8m;

 

  • Por “acesso ao interior da base de duche” deve entender-se a abertura necessária para se entrar de cadeira de rodas na base de duche. Essa entrada deve ser o mais completa possível, i.e., a cadeira de rodas deve poder entrar na base de duche até o seu utilizador alcançar os controlos localizados no seu interior (torneiras, telefone do chuveiro e respetivo suporte, dispensador de sabão caso exista, etc.).

 

  • A largura (de 0,80m) a considerar é a largura livre, a qual deve ser medida a partir da face de ambas as paredes laterais. Os únicos obstáculos admissíveis dentro desta largura livre são o assento e as barras de apoio, na localização e com a configuração indicadas.

 

 

5. A base de duche deve ter dimensões que satisfaçam uma das situações definidas em seguida:

Base de duche acessível

 

  • As dimensões indicadas referem-se ao espaço útil no interior da base de duche, e são medidas a partir da face interior das paredes e divisórias, e não a partir do eixo da divisória.
  • As ilustrações indicam as dimensões mínimas para os dois tipos de entrada admissíveis: entrada lateral (desenho da esquerda) ou entrada de topo. É admissível, mas não obrigatório, que só um dos lados esteja aberto. Sempre que possível, é recomendável que haja dois lados abertos e com ressalto inferior a 0,02m na sua base, porque tornará mais fácil a manobra da cadeira de rodas e o apoio ao banho por parte de terceiros, caso necessário.
  • Em ambas as opções, a largura mínima (cotas “A” e “C”) é idêntica, 0,80m. A diferença reside na relação entre a forma de entrada e as cotas “B” e “D”: uma entrada de lado implica um lado maior, e uma entrada de topo implica uma profundidade maior.
  • As medidas indicam dimensões mínimas, pelo que uma solução que ultrapasse os mínimos indicados para largura e profundidade é admissível.

 

  • Dimensões mínimas não devem ser entendidas como dimensões ótimas, e a provisão de maiores espaços livres implica, quase por regra, melhores condições de acessibilidade. Neste caso, todavia, é importante notar que a acessibilidade da base de duche depende não apenas das suas medidas livres, como também da conjugação dessas medidas com as barras de apoio e, quando exista, com o assento Caso a base de duche apresente dimensões diferentes (para maior) dos mínimos indicados no desenho técnico, haverá que assegurar três fatores fundamentais para a segurança e funcionalidade na entrada e eventual transferência: 1) a proximidade do extremo da barra de apoio frontal (na parede cotada como “A” e na parede cotada como “D”) ao limite de entrada da base de duche; 2) a proximidade do bordo lateral do assento (quando exista) ao limite de entrada da base de duche; 3) a distância entre o assento (quando exista) e a barra de apoio que lhe for frontal (essa distância não vem indicada mas é, obviamente, importante para o utilizador, que deve poder agarrar-se à barra de apoio enquanto se transfere para o assento). Em nenhum dos casos é conveniente que as distâncias sejam muito diferentes das que estão ilustradas.

 

  • A existência de porta na base de duche pode ter implicações nas suas dimensões livres interiores (cf. ponto 9.18.3). A zona de manobra definida para portas no ponto 4.9.6 implica que a base de duche em que é possível a entrada em cadeira de rodas, se estiver dotada de porta, terá de ter no seu interior uma profundidade livre mínima de 1,10m (medida na horizontal, na direcção do movimento de entrada), e uma largura livre mínima de 1,00m (se a porta for de correr) ou de 1,05m (se a porta for de batente).

 

 

6. Junto à base de duche devem ser instaladas barras de apoio de acordo com o definido em seguida:

Base de duche acessível 2

  • Para maior rigor em projeto e obra, é recomendável que as alturas das barras de apoio sejam medidas por referência ao bordo superior das barras, e não ao seu eixo), e sempre relativamente ao piso exterior da base de duche.
  • O dispositivo de barras de apoio exigido é idêntico caso a entrada seja lateral ou de topo. As cotas “A” e “B” são compatíveis com ambas as dimensões ilustradas no ponto 9.10.5.
  • Para assegurar a utilidade das barras, é importante que, para além de terem as respetivas dimensões mínimas (medidas a partir do canto interno da base de duche), os seus extremos se aproxime tanto quanto possível da entrada (para apoiar eventuais transferências).
  • Caso seja instalado assento no interior da base de duche, para tirar o melhor partido da barra de apoio que lhe for lateral, é importante que, para além de ter a dimensão mínima, o extremo dessa barra se aproxime tanto quanto possível do assento (para apoiar a permanência, uma vez que há utilizadores com limitações no controlo da postura).
  • O dispositivo de barras de apoio pode ser constituído por duas barras que cumpram as dimensões mínimas, ou por uma única barra, com a configuração em “L”, que cumpra as mesmas dimensões.
  • É admissível a instalação de um assento fixo no interior da base de duche. Nesse caso: 1) o assento não deve prejudicar a entrada na base de duche (deve situar-se na parte mais interior); 2) o assento deve ser rebatível; 3) a instalação do assento deve possibilitar a instalação das barras de apoio nos locais e com a forma indicada; 4) a colocação do assento deve ser coerente com as barras de apoio (que devem estar próximas, para facilitar a transferência e dar apoio postural, mas não devem, em caso algum, estar no encosto do assento).
  • O diâmetro das barras de apoio deve medir entre 0,035m e 0,05m (3,5cm a 5cm). (cf. ponto 11.1)
  • As barras de apoio fixas à parede devem deixar um intervalo livre (entre a parede e o rebordo interior da barra) medindo entre 0,035m e 0,05m (3,5cm a 5cm). (cf. ponto 11.2)
  • A instalação das torneiras e do apoio de chuveiro não deve impedir ou de alguma forma prejudicar a instalação das barras de apoio, nos locais indicados e com as medidas definidas na ilustração.

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