2.9.15 Equipamento de alarme de instalações sanitárias acessíveis

2.9.15 O equipamento de alarme das instalações sanitárias acessíveis deve satisfazer as seguintes condições:

  • O equipamento de alarme tratado neste ponto destina-se a sinalizar situações de emergência ocorridas no interior da IS acessível. Trata-se, portanto, de algo distinto do equipamento de alarme que sinaliza situações de emergência no edifício.
  • Exige-se a instalação de equipamento de alarme nas IS acessíveis no pressuposto de que estas IS terão utilizadores tendencialmente mais vulneráveis a quedas e outros acidentes. Essa vulnerabilidade pode decorrer de limitações do utilizador (por ex., ao nível do equilíbrio ou da visão) mas também do tipo de operações – nomeadamente as transferências da cadeira de rodas para a sanita, banheira e duche, que implica risco.

 

1. Deve estar ligado ao sistema de alerta para o exterior;

  • Por “alerta para o exterior” deve entender-se a garantia de sinalizar a situação de alarme na IS a outros utilizadores do edifício. Não bastará, por ex., que o alarme da IS accione uma luz ou som sobre a porta de entrada da IS, se esta porta se encontrar numa zona pouco utilizada do edifício.
  • Quando exista no edifício uma portaria permanente ou uma central de segurança, é recomendável a instalação de um sistema de comunicação com intercomunicador. Importa notar que as pessoas com deficiência auditiva não conseguirão comunicar por este meio.

 

2. Deve disparar um alerta luminoso e sonoro;

  • O alerta luminoso e sonoro devem indicar claramente que existe uma situação de emergência no interior da IS.
  • Os emissores de luz e de som devem ser instalados no exterior da IS e não no interior do compartimento em que se dá a situação de emergência. As alterações de iluminação e o som estridente do alerta podem aumentar o estado de ansiedade de quem precisa de socorro, e dificultar a comunicação e prestação de auxílio.
  • Caso exista mais de uma IS, ou mais de uma cabina na IS, o alerta deve indicar qual a IS ou cabina em que o alarme foi accionado.
  • O equipamento deve ter no interior do compartimento um indicador que confirme o accionamento do alarme, porque isso poderá acalmar o utilizador acidentado, nomeadamente se este tiver deficiência auditiva.

 

3. Os terminais do equipamento de alarme devem estar indicados para utilização com luz e auto-iluminados para serem vistos no escuro;

  • Por “terminais” deve entender-se as partes do equipamento de alarme que serão accionadas pelo utilizador. Por exemplo: o botão que se carrega com a mão, ou o cabo (fio) que se puxa.
  • Por “indicados para utilização com luz” deve entender-se que os terminais serão claramente visíveis em situação de iluminação normal no interior da IS. Isto implica que se destaquem visualmente da superfície de fundo (geralmente, a parede) através de um bom contraste cromático (claro-escuro). Por exemplo: cabo (fio) claro sobre parede escura, ou botão escuro sobre parede clara.
  • Por “auto-iluminados para serem vistos no escuro” deve entender-se que os terminais terão uma fonte de iluminação própria, que os torne claramente visíveis no caso de a IS ficar às escuras (por ex., devido a corte da electricidade). Por exemplo: cabo (fio) fluorescente (material que absorve luz e que depois a emite de volta, num espaço de tempo alongado).

 

4. Os terminais do sistema de aviso podem ser botões de carregar, botões de puxar ou cabos de puxar;

  • Por “terminais do sistema de aviso” deve entender-se as partes do equipamento de alarme que serão accionadas pelo utilizador.
  • Os botões de carregar serão sempre mais acessíveis e seguros do que os botões de puxar. Puxar um botão implica, primeiro, agarrá-lo. O que por sua vez implica controlo e força nos dedos e no pulso, capacidade que não têm vários utilizadores com mobilidade condicionada não têm. Deve notar-se, além disso, que os botões de puxar dificilmente cumprem os requisitos do ponto 9.17.2.
  • Por “cabo de puxar” deve entender-se um sistema em que o alarme é accionado pela deslocação de um cabo. Pode assumir duas formas: 1) cabo suspenso na vertical; 2) cabo instalado na horizontal, em tensão.
  • O cabo suspenso na vertical tem de ser puxado para baixo para accionar o alarme. É indispensável que este cabo tenha, no seu extremo inferior, um elemento que apoie a interacção com a mão do utilizador, para que este possa facilmente puxar o cabo. Esse elemento deve ter uma dimensão e uma forma que torne mais fácil agarrar ou empurrar, de forma a exercer pressão para baixo com a mão, ou com outra parte do braço (por ex., cotovelo) ou até com o queixo ou a boca. Por exemplo, argola suficientemente larga que dá três opções de uso: 1) agarrar com a mão; 2) passar a mão pelo meio (ou parte do queixo ou cotovelo); 3) morder.
  • É costume instalar o cabo suspenso na vertical no interior da banheira. Essa localização é muito útil caso a queda se dê no interior da banheira, e é importante assegurá-la. É preciso notar, todavia, que um cabo dentro da banheira de nada serve para um utilizador que se encontre do lado de fora dela, e que não consiga esticar o braço o suficiente para alcançar o alarme (por cima de toda a largura da banheira). Caso se opte por este tipo de cabo, é recomendável, por isso, que se instale mais de um cabo – um dentro da banheira, e pelo menos um fora dela.
  • O cabo instalado na horizontal deve percorrer todo o perímetro interior da IS (ou a maior parte possível), e para operar em condições tem de ser mantido em tensão. O cabo acciona o alarme ao ser deslocado (empurrado ou puxado) em qualquer direcção. Quanto mais em tensão se encontrar o cabo, mais sensível será o sistema, e consequentemente menos esforço exigirá do utilizador. Vantagem: é a solução mais universal e mais segura. Desvantagem: é a opção mais exigente do ponto de vista da manutenção, pois implica verificar, com regularidade, se o cabo se encontra em tensão.
  • Embora a lei admita botões, é recomendável optar por um sistema de cabos na horizontal. Em caso de queda no interior da IS, será provavelmente mais fácil alcançar um cabo (pois este percorre o perímetro da IS) do que um botão (instalado num ponto apenas, possivelmente distante do ponto e do lado para o qual se deu a queda).

 

5. Os terminais do sistema de aviso devem estar colocados a uma altura do piso compreendida entre 0,4 m e 0,6 m, e de modo a que possam ser alcançados por uma pessoa na posição deitada no chão após uma queda ou por uma pessoa em cadeira de rodas.

 

  • Por “terminais do sistema de aviso” deve entender-se as partes do equipamento de alarme que serão accionadas pelo utilizador.
  • A altura é medida na vertical, entre o piso da IS e centro do terminal, sobre o qual o utilizador irá exercer pressão. No caso de cabo suspenso na vertical, a altura deve ser medida ao centro da peça instalada no seu extremo para preensão da mão. No caso de cabo instalado na horizontal e em tensão, a altura deve ser medida ao bordo superior do cabo. No caso de botão, altura deve ser medida ao seu centro geométrico.
  • Dentro do intervalo indicado (0,4m a 0,6m) é recomendável que a altura se aproxime de 0,4m, por ser a que mais facilita o alcance na posição deitada no chão.

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