2.9.17 Controlos, mecanismos operáveis e acessórios das Instalações sanitárias acessíveis

2.9.17 Os controlos e mecanismos operáveis (controlos da torneira, controlos do escoamento, válvulas de descarga da sanita) e os acessórios (suportes de toalhas, saboneteiras, suportes de papel higiénico) dos aparelhos sanitários acessíveis devem satisfazer as seguintes condições:

  • Deve considerar-se que a expressão “controlos e mecanismos operáveis” abrange apenas os elementos referidos entre o respectivo parêntesis, por se tratar de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. Assim sendo, o cumprimento das especificações contidas neste ponto é exigível apenas no caso dos controlos de torneiras (de lavatório, banheira, duche e alimentação do autoclismo), controlos de escoamento (de lavatório, banheira e duche) e válvulas de descarga da sanita (vulgo, autoclismo).
  • Estas especificações não se aplicam ao comando de accionamento da descarga do urinol, tratado especificamente no ponto 2.9.12.3.
  • Deve considerar-se que a expressão “acessórios” abrange apenas os elementos referidos entre o respectivo parêntesis, por se tratar de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. Assim sendo, o cumprimento das especificações contidas neste ponto é exigível apenas no caso dos suportes de toalhas e saboneteiras (de lavatório, banheira e duche), e dos suportes de papel higiénico (sanita).
  • As exigências definidas para o “suporte de toalhas” do lavatório também se aplicam ao dispensador de toalhas de papel ou ao secador de mãos, uma vez que ambos estes acessórios substituem a toalha para servir a mesma função.

 

1. Devem estar dentro das zonas de alcance definidas nos n.os 4.2.1 e 4.2.2, considerando uma pessoa em cadeira de rodas a utilizar o aparelho e uma pessoa em cadeira de rodas estacionada numa zona livre;

  • Por “zona livre” deve entender-se a zona de permanência, uma “zona livre para o acesso e a permanência de uma pessoa em cadeira de rodas” cujas medidas mínimas (1,20m x 0,75m, em planta) são especificadas no ponto 1.1.
  • No ponto 2.1 definem-se as zonas de alcance frontal, livre ou sobre obstáculo. A zona de alcance frontal tem de ser assegurada quando a zona de permanência coloca o utilizador de frente para o elemento.
  • No ponto 2.2 definem-se as zonas de alcance lateral, livre ou sobre obstáculo. A zona de alcance frontal tem de ser assegurada quando a zona de permanência coloca o utilizador de lado para o elemento.
  • O lavatório pode ter mais de 60cm de profundidade, mas as partes manipuláveis
  • Lavatório: 1) Torneira – fio de água: distância máxima de 0,60m ao bordo frontal do lavatório, e altura máxima de 0,75m (ao piso); 2) Torneira – manípulo: distância máxima de 0,60m ao bordo frontal do lavatório, e altura máxima de 1,10m (ao piso), podendo ser 1,20m se distância ao bordo for menor que 0,50m); 3) Controlo de escoamento: caso exista, distância máxima de 0,60m ao bordo frontal do lavatório, e altura máxima de 0,75m (ao piso); 4) Saboneteira: distância máxima de 0,60m ao bordo frontal do lavatório, e altura máxima de 1,10m (ao piso), podendo ser 1,20m se distância ao bordo for menor que 0,50m); 4) Suporte de Toalhas ou dispositivo equivalente para secagem de mãos (por ex. dispensador de toalhetes ou secador de mãos): pode estar separado do lavatório, e embora se admita uma aproximação lateral e altura máxima de 1,40m (cf. ponto 2.2), é recomendável, para conforto de todos os utilizadores, que a altura para secagem das mãos seja 1,00m (por ser a melhor para utilizadores de baixa estatura e pessoas em cadeira de rodas, que assim não têm de esticar os braços para cima).
  • Banheira: 1) Torneira – fio de água: distância máxima de 0,60m ao bordo lateral da banheira, e altura máxima de 0,75m (ao piso), pois importa que o utilizador possa sentir a temperatura da água antes de entrar na banheira (para prevenir queimaduras); 2) Torneira – manípulo: distância máxima de 0,60m ao bordo frontal do lavatório, e altura máxima de 1,10m (ao piso), podendo ser 1,20m se distância ao bordo for menor que 0,50m); 1) torneiras, 2) controlo de escoamento; 2) saboneteira, 3) suporte toalhas
  • Base de duche: 1) torneiras, 2) controlo de escoamento; 2) saboneteira, 3) suporte toalhas
  • Sanita: 1) suporte papel higiénico; 2) dispensador assento limpo (quando exista); 3) controlo autoclismo.
  • Devem estar dentro de duas zonas de alcance, porque é de fora que se mexe nas torneiras, prepara o assento da sanbita, et.

 

2. Devem poder ser operados por uma mão fechada, oferecer uma resistência mínima e não requerer uma preensão firme nem rodar o pulso;

  • A possibilidade de operar todos os elementos manipuláveis com a mão fechada dispensa o utilizador de ter de usar os dedos e o pulso para apontar, agarrar ou rodar. Esta possibilidade é muito importante para as pessoas amputadas que não têm mão, para as que não conseguem controlar os seus movimentos, e também para as que têm problemas nas articulações (por ex., artrites) que tornam extremamente doloroso este tipo de operações.

 

3. Não deve ser necessária uma força superior a 22 N para os operar;

  • Uma força de 22 N é aproximadamente igual a um peso de 2,25kg.
  • Esta força máxima deve ser considerada, especialmente, no caso de torneiras com temporizador, operadas por botão.

 

4. O chuveiro deve ser do tipo telefone, deve ter um tubo com um comprimento não inferior a 1,5 m, e deve poder ser utilizado como chuveiro de cabeça fixo e como chuveiro de mão livre;

  • Por chuveiro do “tipo telefone” deve entender-se um chuveiro dotado de uma terminação em que o utilizador pode pegar como um telefone.
  • É essencial disponibilizar ambas as alternativas, i.e., o utilizador (ou o cuidador que der apoio no banho) deve poder usar o chuveiro solto (segurando o telefone na mão) ou fixo (fixando o telefone junto à parede, num suporte próprio).
  • O ponto de fixação do telefone do chuveiro deve ser alcançável por uma pessoa sentada no assento da base de duche ou da banheira. Tomando por referência os alcances definidos nos pontos 2.1 e 4.2.2, recomenda-se uma altura máxima de 1,00m (relativamente ao piso interior da banheira ou base de duche) e uma distância máxima de 0,60m (na horizontal, relativamente ao encosto do assento).
  • Recomenda-se que o suporte para fixação do chuveiro permita o ajustamento da altura. Esta possibilidade de ajustamento tornará o chuveiro mais versátil, e facilitará a colocação do telefone dentro do alcance do utilizador.

 

5.  As torneiras devem ser do tipo monocomando e accionadas por alavanca;

  • Por torneira do “tipo monocomando” deve entender-se uma torneira com misturador, em que com o mesmo manípulo se controla a água quente e a água fria.
  • A exigência de uma torneira monocomando aplica-se apenas quando o aparelho sanitário em causa estiver dotado de água quente. Deve notar-se que a IS acessível não tem de estar dotada de água quente só pelo facto de ser acessível. O que é necessário assegurar é a igualdade de condições, i.e., se houver IS não acessíveis dotadas de água quente, então a IS acessível tem de estar, também, dotada de água quente.
  • A expressão “torneira accionada por alavanca” não implica, necessariamente, o uso de torneira de patilha clínica. Este ponto concretiza a exigência referida no ponto 2.9.17.2 (operação com a “mão fechada”), Trata-se, apenas, do princípio físico da alavanca.
  • O uso de torneiras accionadas por célula fotoeléctrica é uma boa prática do ponto de vista da acessibilidade, mas levanta uma questão de detalhe relativamente ao cumprimento das presentes normas técnicas, que especificam o princípio da alavanca como exigência. Nas alíneas 2) e 3) estipulam-se as condições necessárias para a facilidade no manuseamento. Quando na alínea 5) se refere explicitamente “monocomando e accionadas por alavanca”, trata-se de uma orientação aplicável aos casos em que o uso da torneira pressupõe uma mistura de águas: aí sim, para facilitar o manuseamento, exige-se um monocomando accionado por alavanca.

 

6. Os controlos do escoamento devem ser do tipo de alavanca.

  • Esta exigência aplica-se apenas quando existam controlos de escoamento operáveis pelo utilizador. A expressão “torneira accionada por alavanca” não implica, necessariamente, o uso de torneira de patilha clínica. Este ponto concretiza a exigência referida no ponto 2.9.17.2 (operação com a “mão fechada”), Trata-se, apenas, do princípio físico da alavanca.

Leave A Comment?

You must be logged in to post a comment.